Esta é uma questão que apesar de bem explicada no evangelho, muitos cristãos não entendem ou preferem não "entender" (aceitar). Lidam com a mente de que Deus por ser bom, não condena a ninguém.

Ledo engano! O fato de Deus ser bom, implica principalmente em ter que ser justo.

O fato é que todos nós nascemos separados de Deus, destinados ao inferno, e, se não houvesse a intervenção divina, nenhum de nós teria a chance de sair desta condição.

Vejamos o que foi dito:

"
Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados,
nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência.
Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira.
Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou,
deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos.
Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, para mostrar, nas eras que hão de vir, a incomparável riqueza de sua graça, demonstrada em sua bondade para conosco em Cristo Jesus.
Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus;
não por obras, para que ninguém se glorie." Efésios 2:1-9     

Efésios 2: 1-9, muito bem empregado, contextualiza o assunto de forma objetiva, e esclarece em suma. 

Deste ponto de vista é possível contemplar a situação por outro ângulo, o qual inverte a responsabilidade da condenação, evidenciando que todos nós nascemos separados de Deus e rebelados contra Ele, em uma espécie de inferno interior e ao mesmo tempo em um mundo edificado na malignidade onde a lei do reino das trevas é a via de regra.

Costumo tomar como exemplo a dívida externa de um país, que enquanto não é liquidada, todos os seus cidadãos e até os que ali nascem, tecnicamente falando, são inadimplentes.

Entre tantos, cito a Grécia como exemplo do que vou colocar aqui por ser o mais dramático e muito divulgado nos dias atuais. Já falaram até mesmo de privatizá-la. Imagina a gravidade? A  privatização de uma nação significa o fim de sua soberania, além do que seu patrimônio, tudo e todos que a ela pertencer passam a ser propriedades de quem o privatizou, neste caso, o banco mundial.

Semelhantemente, isto aconteceu com Adão ao ser vencido pelo pecado. Ele e tudo o que lhe foi entregue por Deus passou a pertencer a quem o derrotou:

“Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. PORQUE DE QUEM ALGUÉM É VENCIDO, DO TAL FAZ-SE TAMBÉM SERVO. “ 2 Pedro 2:19

E a quem pensa que não é assim, explique melhor o texto abaixo:

“E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo.  E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; PORQUE A MIM ME FOI ENTREGUE, e dou-o a quem quero.  Portanto, se tu me adorares, tudo será teu. “ Lucas 4:5-7

Quem será que entregou o mundo nas mãos do diabo? Somente o homem tinha este direito. Não é a ele que em Gênesis vemos Deus entregar toda a criação para que a sujeitasse pelas mãos de seus descendentes?

Possuindo o homem tudo aquilo que é seu vem junto.  Assim planejou satanás.
Não é sob esta situação que desde então todos fomos e somos gerados neste mundo? Independente da educação, cultura ou índole de uma pessoa, espiritualmente falando o que vigora é sua situação diante de Deus.

A única maneira de mudar a situação da Grécia é pagando sua dívida. Se alguém pudesse fazer isto com recursos próprios não se tornaria seu dono? E não teria ele todo o direito sobre ela? Imagine quão nobre seria tal pessoa que após ter feito isto a devolvesse a seus próprios cidadãos, restaurando-lhes o patrimônio, a dignidade, a liberdade e soberania?

Não foi isto que Cristo fez? Ele quitou a dívida espiritual da raça humana por meio do seu sangue e a devolveu à Deus, e ao reino dos céus nossa pátria eterna. Fez de si mesmo  a porta de fuga do inferno para que todo aquele que tendo aceito o pagamento de sua dívida espiritual pudesse escapar da condenação para habitar no reino do Filho do amor do Pai.

O ponto de vista da maioria nos dias de hoje é baseado em um amor de Deus que nega sua justiça. No entanto, o castigo que caiu sobre Cristo por assumir a condenação do homem demonstra a realidade do juízo de Deus. 

Se por causa da lei Cristo teve que morrer como um maldito sendo ele sem mácula, que fim terão aqueles que ignoram a mesma lei para viverem sem Cristo? 

O fato de Cristo ter morrido não isenta o mundo de seus crimes e consequentemente da sua condenação, mas justifica a todos quanto o recebem como oferta pelo pecado, os quais mortificam a si mesmos pela obediência à Sua doutrina, e assim, mortos para os apelos do pecado que ainda habita na velha natureza humana, tornam-se frutíferos para Deus de tal maneira que pela lei ninguém pode acusá-los. 

Nem poderia, porque estão mortos. Ao passo que todos os que se sustentam na dimensão da condenação, na prática dos pecados, estão sujeitos a lei, a qual determina que o salário do pecado é a morte.

Como sumo juiz Deus tem o dever diante de toda a criação e principalmente diante de sua própria consciência quanto aqueles a quem por causa da sua justiça foram perseguidos, injustiçados e assassinados, os quais não cessam de clamar a Ele por justiça:

“E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram. “ Apocalipse 6:9-11

Se alguém gostaria de saber se realmente os santos que estão no céu oram a respeito daqueles que estão na terra, aí está a resposta. E esta oração que fazem por ser coerente com a promessa de Deus pra eles e pra todos que se mortificam em Cristo.

Este é mais um texto que indica que haverá o derramar da ira do Todo Poderoso sobre todos que insistem sustentar a rebelião de satanás que se manifesta em diversas praticas , as quais são:

“...adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.” Gálatas 5:19-21
  
A ira do todo poderoso não poupará nem mesmo os ímpios mortos do passado deste acerto de contas. Serão ressuscitados e colocados diante do grande trono branco para darem conta de suas más ações realizadas por eles ainda aqui sobre a  terra: 

“E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.”  Apocalipse 20:11-15

Em momento algum o Senhor Deus poderia se declarar justo caso fizesse vista grossa a estas coisas. 

A principal característica da justiça de Deus em primeira instância é a provisão para que o homem deixe o pecado é a segunda é que Ele não terá o culpado por inocente e nem a mentira por verdade.

Um governo que trata com impunidade e conivência os injustos seja lá por quais razões forem, constitui-se em um tirano e inimigo de seu povo. Qual reino poderá subsistir sobre tais fundamentos? 

Não é por justiça que em vão clamamos às nossas autoridades? Quantos entre nós não são vitimas deste sistema corrupto, ao qual, muitas vezes não temos a quem recorrer?  A injustiça convive conosco todo o tempo, e com ela a impunidade e a isto estamos familiarizados. No reino de Deus não é assim.

Mas Deus revolverá todo o passado como aquele que busca uma agulha em um palheiro, e tudo o que não estiver justificado tratará com o rigor de sua lei e no furor de sua ira.

No entanto, o amor de Deus se manifesta em sua misericórdia provendo um meio para que o homem se livre de seu furor, enviando-lhe o Resgatador a fim de que todos aqueles que nele creem não sejam condenadom, mas tenham a vida eterna.

A condenação do homem se traduz em que a luz veio ao mundo, mas que preferiram as trevas por amarem mais a satisfação a de seus próprios desejos pecaminosos oriundos da sua natureza caída do que a justicaficação do pecado realizado por Cristo na cruz, o qual  é capaz de resgatar da dívida e transformar a criatura rebelada em filho amado de Deus.

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de SEREM FEITOS filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”. (João 1: 12)

Se aqueles que creem recebem o poder de serem feitos filhos de Deus, o que são então aqueles que recusam a crer em Cristo? 

“..e éramos por natureza FILHOS DA IRA,...” Ef 2.3
"Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus." João 3:36 (NIV)
Toda esta comunicação implica em algo que tem como propósito final o reino de Cristo. 



Reflexão:

Uma pessoa que em todo o tempo recusou o evangelho preferindo desfrutar das oportunidades que lhe trazem satisfações efêmeras, e por amor a estas paixões ou comodismo negligenciou a oportunidade de mudar sua condição espiritual degenerada, que condições tal pessoa terá de fazer parte  de um reino cuja natureza daqueles que ali estão é puro resultado da submissão ao evangelho de Cristo a qual um dia aceitaram? 

Levar esta pessoa para o reino dos céus seria um estupro à sua própria natureza. Seria também um desrespeito a decisão de tal pessoa e um ato de ditadura divina, e se assim fosse, não teria enviado Cristo como uma opção mas como uma obrigação. O evangelho não seria uma proposta, mas uma imposição.  Assim como é o pecado que não concede escolha, você nasce com ele. 

Não é a morte física que transforma a natureza de uma pessoa, mas o renascimento em Cristo. E este renascimento só é possível enquanto estamos neste corpo.



O que é o inferno?

Considere a condenação eterna como um lugar que Deus criou e dele se ausentou por completo a fim de depositar lá todos os que se recusam tê-lo como Senhor, que não aceitam suas leis como regras e preferem servir a seu próprio ego. Um lugar onde cada um tem a sua própria lei e seus limites são vão além de seu direito, como numa selva entre selvagens  irracionais. Um lugar de total libertação de Deus, de seus princípios e de suas leis. Consequentemente também de seus recursos, benefícios e favores. 
Consegue imaginar em um lugar assim?

Por isso, nenhum de nós, quer sejamos "bons" ou não, podemos acusar Deus de injusto e cruel. Sua parte já  está pronta a muito tempo, restando somente ao homem fazer a sua escolha. 


Uma vantagem que muitos do que são maus tem sobre a maioria dos que são bons:

Eles sabem quem realmente são, reconhecem suas más obras. Para estes, o perdão é o único meio de reconciliação com Deus. Enquanto isto, muitos que são bons fiam em suas boas obras como ingressos ao reino onde somente é possível adentrar por meio do sangue do Cordeiro. 

O sangue é o que introduz até a porta, a porta ao caminho da verdade e a verdade à vida. E todos estes elementos não estão do outro lado, estão aqui. Somente daqui é que podemos acessá-los.

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” Ef. 2:8, 9

Concluo afirmando que céu ou inferno, salvação ou perdição, não se iniciam quando morremos, mas quando somos abordados pela mensagem do evangelho de Cristo. A decisão que tomarmos diante desta mensagem, Deus acatará.

“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna.” João 6:47

“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.” Jo 3. 18-21

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; “ Romanos 3:23
“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.”
João 10:9

Se você conhece alguém que gostaria de saber sobre este assunto, compartilhe e ajude-me a divulgar a mensagem do evangelho. 

Marcelo Alberto. Grato.